quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Tu Frankenstein 2: uma noite de terror na Feira do Livro

No ano de 1816, marcado por uma série de intempéries climáticas na Europa (teria chovido por incríveis 130 dias consecutivos), alguns amigos aproveitavam o verão em uma casa em Genebra, na Suíça. Como o tempo não permitia atividades externas, o grupo encontrou passatempo em um desafio: quem seria capaz de contar a história mais assustadora? Bastaria dizer que, entre os presentes, estava ninguém menos que Lord Byron. Assim, não é de se espantar que da brincadeira tenha nascido a história de Frankenstein, criada pela então jovem Mary Shelley.
Um pouco em forma de homenagem ao episódio, a experiência será agora repetida em Porto Alegre: um grupo de escritores vai passar a noite na Biblioteca Pública do Estado - atualmente fechada ao público para reforma - escrevendo contos de terror. Essa é uma das atividades do projeto Tu Frankenstein 2, que realiza, neste sábado e domingo, debates, oficinas literárias e uma série de apresentações de contos de gelar o sangue. A programação foi construída em parceria com o Fantaspoa e com a Odisseia de Literatura Fantástica de Porto Alegre.
Na noite de sábado, 17 autores de diversos países se dirigirão ao antigo prédio da esquina das ruas Riachuelo e General Câmara, de onde só sairão quando o sol nascer no dia seguinte. Após um breve reconhecimento dos corredores do edifício, serão encaminhados ao segundo piso, onde cada escritor irá se dedicar a escrever uma história aterrorizante. O resultado da experiência será publicado no ano que vem pela Editora Dublinense.
Segundo um dos curadores do Tu Frankenstein 2, Duda Falcão, cada participante terá liberdade para criar conforme suas preferências - sejam monstros, zumbis ou vampiros. A única exigência que é a biblioteca, de algum modo, participe da história. “Pode ser a partir de um livro encontrado em uma prateleira escondida no subsolo, ou em túneis que saem do prédio e dão em algum ponto da cidade, isso é bem livre”, brinca o autor de Mausoléu, coleção de contos cujos personagens são lobisomens, alienígenas e bruxas, entre outros tipos clássicos do terror.
A luz na biblioteca, adianta Falcão, será reduzida, para dar ao ambiente um clima lúgubre. Os escritores poderão circular e interagir; é possível que algumas histórias acabem se cruzando. Sobre o que ele próprio pretende criar, o público pode esperar algo com “monstros ou criaturas bizarras”, conta o fã de H.P. Lovecraft, escritor norte-americano que revolucionou o gênero de terror, atribuindo-lhe elementos fantásticos. Para o público, o resultado será visto no ano que vem, com o lançamento do livro.

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