quinta-feira, 8 de março de 2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER, por Rosana de Lemos Vasques

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Algumas torcem o nariz, outras comemoram como se fosse um dia como páscoa ou dia das crianças. Mas a maioria das pessoas não sabem  sabem exatamente do que se trata esse dia.

Vamos aos fatos: em 8 de março de 1857, no estado de Nova Iorque, 130 tecelãs morreram carbonizadas dentro de uma fábrica durante uma greve por melhores condições de trabalho. As operárias recebiam um terço dos salários dos homens, os quais por sua vez, já eram pagos em quantias irrisórias. As grevistas reivindicavam menor carga horária, pois trabalhavam 16 horas diárias. O resultado da manifestação foi esse desastre. 

Em 1910 na Conferência Internacional de Mulheres esta data passou a ser comemorada, por iniciativa de Clara Zetkin, famosa ativista da época, sendo este marco oficializado pela ONU somente em 1975. 

Isto me faz pensar na quantidade de mulheres que lutaram e morreram pelos direitos que temos agora, e que poucos dão valor e que muitos até repudiam. 

Simone de Beauvoir, percussora da literatura feminista, defensora da IGUALDADE  entre homens e mulheres, revolucionou o pensamento da sua época. Não existe nada mais atual do que o trecho do seu livro escrito em 1949:

“AS MULHERES de hoje estão destronando o mito da feminilidade; começam a afirmar concretamente sua independência; mas não é sem dificuldade que conseguem viver integralmente sua condição de ser humano. Educadas por mulheres, no seio de um mundo feminino, seu destino normal é o casamento que ainda as subordina praticamente ao homem; o prestígio viril está longe de se ter apagado: assenta ainda em sólidas bases econômicas e sociais. É pois necessário estudar com cuidado o destino tradicional da mulher. Como a mulher faz o aprendizado de sua condição, como a sente, em que universo se acha encerrada, que evasões lhe são permitidas, eis o que procurarei descrever. Só então poderemos compreender que problemas se apresentam às mulheres que, herdeiras de um pesado passado, se esforçam por forjar um futuro novo.”

É triste ver que em pleno século XXI, muitas mulheres brasileiras ainda se submetem ao regime patriarcal, não se enxergam como sujeito e sim como objeto da satisfação do prazer masculino. Algumas ainda não reconhecem o próprio direito a equiparação de salário, achando que a mulher não pode ganhar mais que o homem. 

Pior ainda é aquelas que invocam o feminismo para justificar a sua própria promiscuidade e acreditam que se o homem não tem critérios, "é legal" não ter também. Este pensamento deturpa todo o ideal. 

Acredito que o papel da sociedade na formação feminina é decisivo na maneira como as mulheres se vêem, somos influenciadas pela mídia, pela criação que temos e pelo meio em que vivemos. Cabe a nós questionar as informações que recebemos e racionalizar, cabe a nós aceitar o papel que nos foi imposto ou criar - ao lado dos homens e não à parte - um futuro no qual seremos indivíduos valorosos e construtivos, com o potencial para ser um ser humano completo e livre, com a capacidade de autodeterminação. Nenhum sexo deve se opor ao outro, mas caminharem lado a lado.

DIA 8  DE MARÇO - UM DIA PARA REFLEXÃO!

 Rosana de Lemos Vasques

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