quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Maximizem o acesso a informação: O que você faz para isto ocorrer?



Algo que provavelmente não seria necessário dizer, mas que vou ressaltar aqui é que nas últimas décadas o mercado mudou. Para os estudantes de biblioteconomia – das metrópoles – de hoje, provavelmente aquela biblioteca sem terminais de consulta – um computador antigo vale – e apenas com o uso de catálogos manuais possa parecer algo um pouco mais distante, mas até meados da década de 2000 isto era o padrão (hoje ainda existe bastante, mas perde para a automação).

Com a implantação dos recursos tecnológicos a literatura chega a dizer que surge uma diminuição, por parte das pessoas, em relação ao uso do meio tradicional, ou seja, a biblioteca (algo questionável), se cria maior expectativa devido a automação, principalmente se tomarmos em consideração a penetração do Google no mercado de buscas informacionais, e a biblioteca deixa de monopolizar o mercado informacional.

Ainda na literatura, o recomendável no âmbito do planejamento é avaliar, isto é, atribuir valor, julgar mérito, relevância e impacto das ações. Ainda diríamos que é necessário verificar a satisfação do cliente continuamente visando a maior qualidade e produtividade. Estamos falando de sobrevivência e a falta de recursos não pode ser colocada como desculpa.

Mas é isto que ocorre?

Não tenho medo em dizer que pouco mudou nos últimos se pensarmos na década de 1990 como parâmetro. Aliás, se pensar nos últimos 20 anos até ousaria dizer que estamos bem próximos muito próximos à relação com a informação que tínhamos entre os anos 900 e 1300, transformando este bem em privilégio para poucos.

Se a informação esteve cativa a divindade no passado, com a internet ela se torna mais acessível, algo que a sociedade da informação, mesmo focada na tecnologia, contribuiu muito. Mas engana-se aquele que pensa que a internet é o primeiro meio propenso a disseminar informação, a criar redes de distribuição do saber. Enciclopédias já faziam isto.

Facilitar o acesso a informação não é uma ideia dos dias atuais. Paul Outlet já pensava nisto com o uso de canais telégrafos e telefônicos. Já em relação em ciência e tecnologia, Vanner Bush, em 1945, já elencava os obstáculos no repasse deste tipo de informação: recursos humanos, instrumental de armazenamento e distribuição e arcabouço teórico da época.

É dentro deste contexto que questiono o que evoluímos nos últimos anos. Distribuir informação, facilitar o acesso são ideias que a internet permitiu ampliar, contudo, anteriores a este meio.

E o pior é que vejo catálogos automatizados de bibliotecas com as mesmas características dos catálogos manuais.

Em relação a esta afirmação acima, relato alguns pontos colocados por Moreno Barros no último Bibliocamp, que aconteceu em dezembro de 2011 no Rio de Janeiro: Sistemas de bibliotecas são fechados em si, a informação contida na maioria deles é inacessível pelos sistemas onde os usuários efetivamente buscam informação e não é possível que hoje em dia tenhamos que acessar a base de dados de uma biblioteca para chegar a uma determinada informação, isto é, achar o website da instituição mantenedora, da biblioteca e entender a lógica do catálogo. Ou seja, tudo é feito pensando naquele que já conhece a lógica institucional e não no público em geral, ou nos usuários potenciais.

Comecei o texto propositalmente com trechos de um livro sobre planejamento de bibliotecas para demonstrar que aquilo que repetimos como um mantra da dificuldade do fazer (vivemos chorando falta de recursos) não faz sentido. Se o seu catálogo é fechado para buscadores como o Google, crie um blog, replique o conteúdo, aproveite para adicionar informações que as normas de biblioteconomia não permitiriam ao catálogo oficial, faça seu trabalho, seu acervo aparecer e ser consultado e justifique sua existência. Recomendaria alguns aspectos das apresentações de Moreno Barros e de Fabiano Caruso no Bibliocamp acima citado.

A Biblioteca Nacional, por exemplo, parece estar acordando para isto, se comunicando melhor com seus usuários e possíveis usuários através de ferramentas sociais, digitalizando periódicos e criando um blog com os dados de catalogação destes títulos visando maximizar o acesso. Diria até que muito ocorre devido a visão mais aberta do atual presidente da instituição, Galeno Amorim, que possibilitou servidores porem em práticas ideias que antes não sairiam do papel, onde a finalidade é fazer a instituição aparecer. Porém, o que vejo é que diversas instituições não pensam assim, e o pior, muitos bibliotecários não pensam assim e buscam proteger seus dados de catalogação, de indexação no ambiente da biblioteca! Proteger para que? Só se for para que os recursos disponibilizados a biblioteca se tornem cada vez mais escassos.

Quanto às apresentações citadas, de Moreno e de Caruso, estas podem ser acessadas através do blog Bibliotecários sem Fronteiras em http://bsf.org.br/2011/12/15/bibliocamp-rio-de-janeiro-slides-das-apresentacoes/ . Pode ser que as apresentações em si não sejam explicativas, assim, busquem contactar os autores para extraírem deles as ideias.

A intensão deste texto não é criticar ninguém, mas alertar para a necessidade de mudar, de disponibilizar a informação, seu trabalho. Assim, aproveito para pedir que nos comentários vocês compartilhem aquilo que estão fazendo para mudar este cenário, para facilitar o acesso. Colabore!

Fonte: http://bibliotecno.com.br/?p=2163

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