terça-feira, 20 de setembro de 2011

Para gostar de e-book

A partir de 2012, 100 livros digitais serão oferecidos pela Biblioteca Nacional

Enquanto no Brasil o mercado de e-books é incipiente, em metrôs, ônibus e aeroportos das grandes cidades norte-americanas e europeias é relativamente comum ver gente lendo em seus smartphones, tablets e e-readers, como antes se fazia com as edições de bolso.

Nos EUA, que vive o “verão do Kindle”, a fatia do mercado está em 13,5% quando se fala em obras de ficção. Na Alemanha, segundo dados da Sociedade para Pesquisa de Mercado Consumidor, desde fevereiro foram vendidos 350 mil leitores digitais.

No Brasil, onde o acervo ainda é escasso e os aparelhos saem por no mínimo R$ 800, não há números a respeito. Nas capitais, não se vê nada parecido.

Mas a Fundação Biblioteca Nacional, à qual cabem as políticas de livro e leitura, quer olhar adiante, e realizou, durante a Bienal do Livro do Rio, o colóquio E-books e a Democratização do Acesso – Modelos e Experiências de Bibliotecas. A feira se encerra hoje à noite.

No início de 2012, o presidente da FBN, Galeno Amorim, já espera ter para empréstimo cerca de cem títulos digitalizados (literatura brasileira em domínio público). A ideia agora é aprender com a experiência de quem já vive a era digital nas bibliotecas, e pensar o modelo mais adequado à nossa realidade, seja o download ou o sistema nuvem, em que o livro fica disponível só por um período.

Aqui, inexiste esse tipo de serviço. Nem os livros de papel chegam a todos. Ainda falta atingir a marca desejada há anos: ter uma biblioteca instalada em cada um dos 5.565 municípios.

O colóquio marca os 200 anos da BN, criada numa então colônia de analfabetos para guardar a biblioteca real trazida de Portugal, e, com o tempo, transformada em centro de pesquisa. Hoje, o público tem acesso, pela internet, à parte do acervo digitalizada. “O e-book é um evento novo para todos. Não podemos ficar na rabeira. Queremos discutir qual é o melhor caminho, o que é viável”, diz Galeno, ao justificar a realização dos debates.

Na Inglaterra, contou Aquiles Alencar-Brayner, curador digital (cearense) da British Library, as editoras resistem a ceder e-books para empréstimo. Mas uma lei poderá enquadrá-las ano que vem. Frank Daniel, da Biblioteca Pública de Colônia, relatou que nos últimos quatro anos foram computados 120 mil downloads de 8.600 e-books. A biblioteca oferece aplicativos para iPhones e iPads.


Essa é a Bienal mais tecnológica de todas, a primeira em que foram oferecidos “para degustação” tablets e e-readers. O espaço da Bienal

Digital ficou cheio de curiosos que nunca tiveram um desses nas mãos.



Fonte: Estadão

Data: 11/09/11

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