terça-feira, 20 de setembro de 2011

Crowdsourcing: As bibliotecas querem ser colaborativas?

Crowdsourcing: As bibliotecas querem ser colaborativas?O crowdsourcing possui mão de obra barata, pessoas no dia-a-dia usam seus momentos ociosos para criar a colaboração.

O ser humano desde sempre buscou inovar, criar algo novo e isto nos últimos anos tornou-se também um verdadeiro mantra do mundo administrativo: Inovação, inovação, inovação. O que há de certo é que não existe uma fórmula para inovar, mas diversos livros abordando a temática, como incentivar a inovação, como ser inovador. Neste cenário, surgem diversos modismos, mas o cenário da inovação vem mudando e buscando ser mais colaborativo. Modismo ou não, como as bibliotecas podem se aproveitar disso.


Estamos falando do crowdsourcing e já que o tema é relativo à colaboração, vamos usar uma definição da Wikipedia: significa utilizar a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver novas tecnologias. É também chamado de “open innovation”.

As bibliotecas atualmente parecem começar a descobrir a palavra colaboração, mas o que isto significa? Ter um twitter, um facebook, deixar o usuário compartilhar seus anseios e pronto… Nem mesmo um destino para toda esta colaboração é garantida. Já a colaboração no âmbito das práticas da biblioteca é vista como algo absurdo… Não, não mexam na minha catalogação! Normalmente não há colaboração nem mesmo entre os pares.

Como funciona?

Algumas áreas vêm usando bastante o recurso do crowdsourcing, principalmente a de publicidade e inovação. Na propaganda, um comercial dos salgadinhos Doritos foi exibido durante o intervalo do Super Bowl, um dos espaços mais caros na TV americana. A diferença é que não foi contratada uma empresa para elaborar o vídeo, mas este veio de diversas propagandas elaboradas, por qualquer pessoa (não necessita, neste caso, ser um publicitário) e o autor ainda desembolsou 25 mil dólares. No Brasil, e na área de inovação, o carro ‘Fiat Mio’, lançado no salão do automóvel de 2010, obteve mais de 10,6 mil ideias enviadas e mais de 17 mil participantes.

Mas, e nas bibliotecas?

É certo de que uma biblioteca não irá pagar 25 mil dólares a ninguém, mas o crowdsourcing não está atrelado a uma necessária recompensa financeira, eis a Wikipedia para comprovar isto. Não sei para vocês, mas ao ler o que foi escrito até o momento a primeira coisa que me vem a mente é o processamento técnico.

Quantas bibliotecas fazem analíticas de seus documentos e quantos usuários procuram coisas específicas que não conseguem encontrar com tanta facilidade? Olhe uma biblioteca cheia de pesquisadores, cheia de indivíduos encontrando informações específicas que não podem ser encontradas em um catálogo… Agora veja todas estas informações encontradas levantando da cadeira, te dando uma boa tarde e indo embora (para talvez nunca mais voltar!). Esta é a realidade.

Vamos a um caso mais extremo: Biblioteca Nacional! Sim, falar em Biblioteca Nacional, devido ao tamanho de seu acervo, já é algo extremo, e seu maior volume de informações com complicações para serem recuperadas está em sua coleção de jornais e revistas… Ah, para não ficarmos tão impressionados assim vamos nos limitar aos jornais e só isto já me dá medo! Pense em quantos títulos de jornais existem na Biblioteca Nacional, agora na quantidade de edições, na quantidade de matérias publicadas por edições… Multiplique e chegarás a um valor absurdo, e que cresce a cada dia.

No geral os jornais estão catalogados assim…



Com muito esforço de um bibliotecário, um jornalista e dois estagiários (um de história e um de biblioteconomia) as coisas estão ficando assim…




Um avanço? Sim, mas e o conteúdo? Não, não dá para fazer analítica, mas a Biblioteca Nacional resolveu registrar e compartilhar pelo menos as pesquisas de seus servidores/pesquisadores. Para usuários de fora do estado do Rio é possível solicitar uma pesquisa que os pesquisadores da BN irão aos documentos encontrar a informação e enviar ao usuário. O importante é que a pesquisa é catalogada e indexada.


De certa forma o que temos é uma analítica feita de acordo com a demanda, tendo o servidor/pesquisador como um elemento intermediário. Agora, imagine os pesquisadores que todos os dias estão na Biblioteca podendo alimentar uma base de dados similar (que poderia depois receber uma padronização técnica da instituição)…

Mas não é só nas analíticas que o usuário poderia colaborar, pois um sistema que permitisse atribuir tags em relação aos assuntos do documento, independente dos assuntos atribuídos pela instituição, poderia ampliar a visão em relação aquilo que o bibliotecário pode perceber durante a indexação. Incentivar o usuário a fazer isto? Acho que este não seria o maior problema, mas convencer o bibliotecário que outros poderiam colaborar com seu trabalho seria sim um grande problema.

Mas o processamento técnico é só um exemplo. Escutei muito na universidade se falar em marketing, em publicidade, mas pouco vi até hoje. Aliás, só vi isto na Biblioteca Nacional, principalmente por esta ter recursos financeiros maiores. Então, porque não incentivamos os usuários a fazerem a propaganda da biblioteca, principalmente naquelas onde exista um volume maior de jovens. Vídeos, desenhos… Vale tudo!… O mais importante seriam os jovens falando para outros jovens e convencendo até a família a frequentar a biblioteca. Não apenas propaganda da instituição, mas de eventos, por exemplo. Neste caso até visualizo uma forma de retribuição ao autor da propaganda enviada, pois em caso de eventos com limite de vagas este teria preferência. Mas não vamos ficar só na propaganda… Os usuários poderiam ser incentivados a elaborarem tipos de eventos que acreditam serem interessantes e a biblioteca só entraria com a gerencia e os recursos necessários. Seria a biblioteca oferecendo os próprios anseios de seus usuários.

O conceito também pode ser aplicado aos próprios bibliotecários, compartilhando ideias para inovar (ou não) e um exemplo disso é uma “desconferência” que irá se realizar em dezembro no Rio de Janeiro chamada Bibliocamp. Todos sendo levados a oferecer seu intelecto e receber o intelecto alheio, de forma a construir algo melhor.

As ideias são as mais diversas e às vezes é até complicado descreve-las aqui. O mais importante é ficar com o conceito de que o usuário também pode colaborar nos produtos e serviços (ou mesmo faze-los) e a biblioteca se constituir realmente como um espaço do coletivo, pública e colaborativa.

Este é um texto meramente provocativo. O que desejo é que pensem (e de preferencia compartilhem aqui) quais ações a biblioteca poderia ter para aproveitar o conceito de crowdsourcing? O que poderia ser feito na prática? Será um modismo? Vamos lá…

Fonte/Leia em: Blog Bibliotecno

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